6 de jul de 2010

ANJOS (WEBERT GOMES - TEXTO EM HOMENAGEM A NANDA VOLPE)

De todas as coisas que a escrita me trouxe a mais emocionante é a sua amizade, valeu a pena escrever porque foi lendo-me que você me notou, e é maravilhoso ter alguém que me lê. Obrigada Webert, meu amigo, meu professor no mundo literário, o que me lê, o que me vê, o que me compreende.
"Nanda, anjo - e que às vezes confundo com uma pessoa", você escreveu isso na poesia que fez para mim, acho que as vezes também me confundo com uma pessoa, mas talvez eu não seja, não sou linda e perfeita como um anjo, mas não sou somente uma pessoa, mas as vezes eu queria ser, não o anjo mas a pessoa.
Obrigada amigo. (Nanda Volpe)

ANJOS (Webert Gomes -texto em homenagem a Nanda Volpe)
É incrível como Deus - prefiro chamá-Lo assim - sempre me reserva anjos especiais aqui na Terra. Por onde passo, me aparecem seres que nem sequer chamei para acompanharem-me a jornada. Não é assim com você?

Embora a pouca idade, já vivi numerosas fases em minha vida. E de quantas pessoas já me despedi! De quantas então me afastei sem sequer um 'até breve'. Me vi entrando em novas fases, sem absolutamente ninguém me esperando do outro lado dela. Estava indo, e os outros a quem deixei ficando.
Hoje deparo-me com uma situação incrivelmente nova: deixo tudo por tudo. E não há como evitar: afasto-me também dos velhos amigos. Não me despeço de nenhum, porque não estou indo embora do mundo. Não concordo com despedidas enquanto vivo. É sempre tempo de retornar ou de se rever. Despedir-se é cruel. É dizer adeus sem perspectivas de um reencontro. Eu que vivo inteiramente e possuo um círculo social acredito sempre no reencontro. Ainda que mudo e silencioso, acredito que as pessoas sempre voltam. Mesmo que seja somente em nossas lembranças.
Hoje encontro a Nanda, anjo - e que às vezes confundo com uma pessoa - que apareceu tão repentinamente. Acompanha-me tão de perto que nem parece que estamos à um distância consideravelmente longe. É perto demais para que qualquer um acredite. Nem meu vizinho está tão próximo.
Seus olhos me amam.
Seus dedos me descrevem.
Seu cheiro me chama.
E seu sorriso...
Ah! Não há nuvem negra que não se dissipe diante das faces levemente enrubescidas, na iminência de um sorriso sincero e incontido. Neste instante, os olhinhos se apertam e duas maçãs se formam, provocando uma reparável meiguice que se assemelha a um canteiro de jasmins em gargalhadas.
Ela me dará a chance de conhecê-la pessoalmente, embora a escrita já o tenha me permitido. A diferença é que agora poderei tocá-la com a ponta dos dedos. E suas mãos, por fim, deslizarão suavemente pelos meus cabelos.
Agradeço ao Papai do Céu por não deixar-me desamparado. Uma nova fase chegou. Desembarco-me num porto desconhecido. Uma multidão de rostos estranhos.
Mas há alguém de malas a minha espera, do outro lado do saguão. Destaca-se entre as pessoas.
É um anjo.
Minha mais nova companheira de viagem.

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